quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ação da Eletrobras cai 20% e acumula queda de quase 70% no ano

Empresa perdeu R$ 17 bilhões em valor de mercado desde o início do ano.
Valor de mercado caiu 50% desde o anúncio do plano de corte de tarifas.

As ações da Eletrobras caíram quase 70% do início do ano até esta quarta-feira (21) e quase 60% desde que o governo anunciou o programa de redução das tarifas de energia, no dia 6 de setembro, segundo levantamento da consultoria Economatica.
Só nesta quarta, a ação preferencial da Eletrobras desvalorizou 20,08%, fechando cotada a R$ 7,84. Foi a maior queda diária da história do papel, que alcançou o menor preço desde agosto de 2003.
Valor de mercado e variação das ações da Eletrobras
  Valor de mercado, em R$ bilhões Queda das ações preferenciais, em %
31/12/2011 26,5 68,2
06/09/2012 19,2 58,7
14/11/2012 13,8 40,2
21/11/2012 9,4 20,02*
*em relação a 19/11.
Desde 31 de dezembro, as ações preferenciais da empresa caíram 68,2% e as ordinárias, 58,8%. A maior parte desta queda ocorreu após a divulgação do plano do governo de reduzir o valor das contas de energia, no dia 6 de se tembro: desde então as preferenciais perderam 58,7% e ordinárias, 48,3%.
A indicação da diretoria de que a estatal deve aceitar a renovação das concessões, no entanto, tornou a desvalorização ainda mais forte. Em 14 de novembro, a diretoria da Eletrobras aprovou nota técnica que recomenda aos acionistas aceitar as condições impostas pelo governo para renovar, por até 30 anos, suas concessões que vencem entre 2015 e 2017. Desde então, os papeis preferenciais da empresa desvalorizaram 40,2% e as ações ordinárias, 28,8%.
Os investidores castigam os papéis da estatal elétrica por temores sobre os impactos negativos que a provável renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas terá sobre os resultados e dividendos da companhia.
No dia 6 de setembro, a presidente Dilma Russeff anunciou que o governo planejava implementar um programa de redução 16,2% a 28% nas contas de luz a partir de 2013. Para conseguir isso, a renovação de concessões de geração (usinas hidrelétricas e térmicas), transmissão e distribuição que venceriam entre 2015 em 2017 serão renovadas em troca de uma remuneração até 70% menor pelo serviço prestado por elas.

Os concessionários enquadrados no plano dizem que a remuneração é baixa. Eles também questionam os R$ 20 bilhões oferecidos pelo governo em indenizações às empresas por conta de investimentos feitos nos últimos anos e que não terão tempo de ser amortizados (pagos via tarifa).
O mercado teme a perda de receita e baixa contábil que a renovação antecipada de concessões imporá à companhia. Com isso, analistas do Barclays cortaram o preço-alvo para as ações da Eletrobras para R$ 1, na última segunda.
Valor de mercado
Em termos de valor de mercado, a companhia encolheu pela metade desde o anúncio do governo do plano de reduzir a conta de energia, no dia 6 de setembro: perdeu 50,9% do valor, ou o equivalente a R$ 9,8 bilhões. Nesta quarta, a Eletrobras encerrou as negociações na Bovespa valendo R$ 9,4 bilhões em valor de mercado.
Desde o início deste ano, a empresa perdeu 64,5% do valor de mercado, o equivalente a R$ 17,1 bilhões.
Uma parte forte da desvalorização do valor de mercado ocorreu a partir da recomendação, por parte da diretoria, de renovação das concessões, em 14 de novembro. Desde lá, a empresa perdeu R$ 4,4 bilhões em valor de mercado, ou 31,7% em relação aos R$ 13,8 bilhões que valia há uma semana.

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