quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Brasil tem maior ingresso de dólares desde abril, revela BC



Na parcial de novembro, houve o ingresso de US$ 3,5 bilhões no país.
Somente na semana passada, entrada foi de US$ 1,2 bilhão, informa BC.

Informações divulgadas nesta quarta-feira (21) pelo Banco Central revelam que houve o ingresso de US$ 3,5 bilhões na economia brasileira na parcial de novembro, até a última sexta-feira (16).
No acumulado deste ano, até 16 de novembro, ainda segundo números do Banco Central, houve um ingresso de US$ 22,14 bilhões na economia brasileira
Trata-se do maior valor desde abril deste ano, quando foi contabilizada a entrada de US$ 6,58 bilhões no país. Somente na semana passada, o ingresso foi de US$ 1,2 bilhão, informou o Banco Central.
A entrada de recursos no país acontece após três meses consecutivos de retiradas de dólares. Em outubro, foi contabilizada a retirada de US$ 3,82 bilhões na economia brasileira. Em agosto e setembro deste ano, respectivamente, US$ 896 milhões e US$ 534 milhões deixaram a economia brasileira.

Impacto na cotação do dólar
O ingresso de recursos no país que foi registrado no começo de novembro, segundo analistas, teoricamente favorece a queda do dólar. Isso porque, com mais dólares no mercado, seu preço tenderia a ficar menor.

O que se vê no começo deste mês, entretanto, é um movimento inverso. Perto das 11h35 (horário de Brasília), a moeda norte-americana avançava 0,43%, cotada a R$ 2,0900 para a venda. Considerando os patamares de fechamento, o dólar não chegava a essa cotação desde o dia 15 de maio de 2009, quando fechou a R$ 2,109 na venda.
A explicação é que, na ausência de atuação por parte do Banco Central, os bancos poderiam estar "absorvendo" este ingresso de divisas. No fim de outubro, as instituições financeiras estavam com uma "posição vendida" no valor de US$ 3,65 bilhões no mercado de câmbio - valor que deve estar praticamente zerado com a entrada de dólares registrada neste mês.
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Os números da posição dos bancos no mercado de câmbio são divulgados somente no início de cada mês, e não semanalmente como os dados do fluxo cambial.

Cenário internacional
A entrada de divisas no país ocorre em meio à crise financeira internacional e, também, após o anúncio de medidas dos bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão, que vêm injetando mais dinheiro em suas economias para estimular a recuperação.

Autoridades brasileiras, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente da República, Dilma Rousseff, vêm criticando essas políticas das economias mais desenvolvidas – que a presidente chegou a chamar de "protecionismo disfarçado".
O temor é que grande parte destes dólares poderiam ser canalizados para o Brasil, causando uma "enxurrada" da moeda estrangeira – e, consequentemente, derrubando o valor do dólar e tornando as vendas externas brasileiras mais caras.

Política cambial brasileira
Teoricamente, a política de câmbio do Brasil é chamada de "flutuante", pela qual o preço da moeda norte-americana oscilaria de acordo com os fluxos de entrada e saída de dólares do Brasil.

Entretanto, o governo tem estabelecido, informalmente, o dólar um pouco acima de R$ 2 e, mais recentemente, não tem atuado para conter uma elevação maior do dólar, que já opera acima de R$ 2,05 há alguns dias.
Um valor mais alto para o dólar gera melhores condições de competitividade para as empresas brasileiras, uma vez que suas exportações ficam mais baratas. As compras do exterior, por sua vez, também ficam mais caras. Um dólar mais alto, entretanto, também pode gerar mais pressões inflacionárias.
Para controlar o preço do dólar, o governo tem uma série de instrumentos. Além das compras e vendas de dólares no mercado à vista, o BC também pode operar no mercado futuro (por meio das operações de "swap" cambial tradicionais e reversas).
O Ministério da Fazenda, por sua vez, pode utilizar as alíquotas do IOF para tentar controlar o ingresso de divisas no país – assim como foi feito no passado recente.

Contas comercial e financeira
O fluxo cambial brasileiro possui duas contas: a comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação; e a conta financeira – que inclui as demais operações, como os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior, entre outros.

Os números do BC mostram que o fluxo comercial registrou entrada de divisas de US$ 1,07 bilhão na parcial de novembro. Ao mesmo tempo, foi contabilizada a entrada de US$ 2,44 bilhões por meio da conta financeira no acumulado deste mês.

Acumulado do ano
No acumulado deste ano, até 16 de novembro, ainda segundo números do Banco Central, houve um ingresso de US$ 22,14 bilhões na economia brasileira. Apesar de o saldo ainda estar positivo, houve uma forte queda de 67,8% na entrada de recursos no Brasil neste ano, visto que, entre janeiro e agosto do ano passado, US$ 68,8 bilhões entraram no país.

Além da crise, a queda no ingresso de dólares na economia brasileira aconteceu também por conta da atuação do governo federal – que buscava estimular uma alta do dólar para proporcionar melhores condições de competitividade para as empresas brasileiras.

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