quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Desaceleração não preocupa negócios da Vale na China, diz diretor

Luciano Siani falou em evento sobre relações comerciais entre os países.
Diretor diz, entretanto, que 'os anos de exuberância acabaram' na China.


Empresários brasileiros e chineses participam de conferência nesta quarta-feira (21) em São Paulo (Foto: Gabriela Gasparin/G1) 
Empresários brasileiros e chineses participam de conferência nesta quarta-feira (21) em São Paulo.

A crise econômica internacional e a desaceleração do crescimento da China não preocupam os negócios da Vale no gigante asiático, afirmou nesta quarta-feira (21) o diretor de relações internacionais da companhia, Luciano Siani. O executivo participou de debate sobre a relação comercial entre os dois países na 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, realizada em São Paulo.
"“[A crise econômica] não preocupa porque o processo de urbanização da China ainda está na metade do caminho”, disse, citando que a urbanização ainda está em 50% naquele país. Segundo ele, a China é o maior parceiro da mineradora em termos de destino das vendas. Ele afirmou que os investimento na China serão mantidos.
“Não vai ser problema (...). Nós não vamos ter preços tão altos por conta de um equilíbrio maior entre oferta e demanda, em razão do crescimento percentual mais lento, mas os preços ainda serão muito competitivos”, ressaltou.
Além da Vale, executivos da Embraer e da BRF, empresas nacionais que também estão presentes na China, e da chinesa Huawei, presente no Brasil, também participaram do debate sobre relações comerciais entre os dois países.
Siani completou, contudo, que "os anos de exuberância acabaram" na China, referindo-se a crescimentos de de dois dígitos, de 10% ao ano. "Em termos percentuais [o crescimento] é menor, mas em termos aboslutos ainda é grande", ressaltou.

Para seguir competitiva, a Vale precisa ser eficiente e fazer que o minério de ferro chegue ao país em preços mais baixos possíveis, "porque os preços exuberantes do passado não vão voltar", diz, prevendo um cenário "benigno" para o país nos próximos dez anos.
China desconhece o BrasilPara o presidente da BRF Foods, José Antônio Fay, as relações comerciais entre ambos os países acaba sendo prejudicada, contudo, pelo desconhecimento dos chineses em relação ao Brasil. Para ele, o brasil é "absolutamente desconhecido" para a China, o que dificulta a penetração de empresas brasileiras no gigante asiático.
"Somos absolutamente desconhecidos na China (...). A China é muito mais distante do Brasil do que o Brasil da China. A China tem mercado interno tão vasto que ela é muito centrada nela mesma, é muito difícil essa penetração", disse, acrescentando que "a gente dá muita relevância ao país China e o inverso não é verdadeiro."
O presidente da BRF afirmou que é muito difícil fazer negócio na China, uma vez que, apesar da alta demanda, é preciso trabalhar com preços baixos. "Estamos na China há mais de dez anos e sempre fizemos comercialização (...) e percebemos que a China vai sempre ser importadora de produtos básicos brasileiros", relatou.
Fay acrescentou que o Brasil tem tem muita tecnologia forte no agronegócio e no processamento de carne, o que insere a entrada no mercado asiático no médio e longo prazo. "Agora, o caminho não é simples, não é fácil e o conhecimento do consumidor chinês é outra barreira importante. O caminho para atingir esse consumidor e produzir na China", disse.

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