quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Miosótis Lúcio deixa o PPS e publica carta cheia de simbolismo.


São Luis -Candidata a vice-governadora do estado na chapa de Flávio Dino (PCdoB) em 2010, a militante Miosótis Lúcio anunciou, hoje (19), sua saída do Partido Popular Socialista (PPS).

Numa espécie de carta – mais sentimental do que factual – publicada em sua página pessoal no Facebook, a (agora) ex-popular-socialista anuncia que fez nesta segunda-feira o pedido formal de desfiliação.
“No dia 19 de outubro, solicitei meu afastamento
do PPS, após 10 anos de filiação”, declarou.
Miosótis não diz abertamente, mas a sua saída da legenda, apenas cinco dias após a chegada da deputada estadual Eliziane Gama ao comando da sigla diz muito sobre o caso.
Ou teria sido coincidência o fato de que apenas no domingo (18) ela tenha conseguido ”colocar em ordem e no computador, meus sentimentos e reflexões”?
Veja abaixo a carta-reflexão de Miosótis Lúcio.
MINHA DESPEDIDA DO PPS
No dia 19 de outubro, solicitei meu afastamento do PPS, após 10 anos de filiação. Veio a eleição, a cirurgia de Júlia Lúcio, uma semana de trabalho no interior, início das aulas na UFMA. Ontem, finalmente consegui colocar em ordem e no computador, meus sentimentos e reflexões. Aqui, minha despedida. Grande abraço a todos os amigos queridos, que aprendi a admirar e respeitar, ao longo dos anos. As decepções, tristezas, vamos diluindo com as pequenas alegrias diárias, perenes em nossas vidas.
DESNUDAR-SE
Pus em mim as vestes de psicóloga; segui o rito, escutei atenta, sofri em calar verdades tão claras, guardadas a sete chaves por quem ainda não estava pronto.
Sarando dores, descobri o poder da oratória; espanei segredos meus e do mundo, estanquei dores, sorri junto.
Vesti em mim as vestes de política; construí pontes, apurei os sentidos, silenciei, falei, agi. Andei, andei, vasculhando em mim verdades que via ao lado. Chorei as dores que não pude curar, minhas e suas.
Povo, gente, poder, lei, verdade, mentira.
Partido, dividido.
Verdades. Metades.
Guardei as vestes, escurecidas.
Teci vestido novo, claro como dia de primavera, com passos mansos saí silenciosamente, deixando no palco alguns desatentos.
Dancei ao vento, com passos incertos – de menina que escolheu ser diferente.


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