quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Para Mantega, dólar subiu por conta de 'apreensão' do mercado



Mercados ficaram mais nervosos por conta dos EUA e Europa, disse ele.
'Houve desvalorização da maioria das moedas; real acompanhou', afirmou.

O dólar subiu no Brasil nos últimos dias por conta da apreensão do mercado em relação às economias norte-americana e europeia, segundo avaliação feita nesta quarta-feira (21) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Questionado se o governo deixaria o dólar "flutuar" para um valor acima de R$ 2,10, ele se esquivou e não respondeu.
"O câmbio está flutuando, assim como real se desvalorizou um pouco hoje. A maioria das moedas se desvalorizou em relação ao dólar. O que houve é uma apreensão maior em relação as economias americana e europeia", declarou o ministro da Fazenda.
No caso da economia norte-americana, explicou ele, as tensões subiram por causa do chamado "fiscal cliff" (dificuldades sobre os limites de gastos no próximo ano). Sobre a Europa, Mantega disse que a região esta "oficialmente em recessão, com dois trimestres seguidos de crescimento negativo e com uma perspectiva não muito promissora para os próximos anos".
"Com isso, os mercados ficaram mais nervosos e houve valorização do dólar e desvalorização de todas as outras moedas. Então, o real apenas acompanhou isso. O câmbio flutua para um lado e para o outro e está em sua trajetória normal. É uma tendência internacional neste momento que está acontecendo e estamos acompanhando", afirmou o ministro.

Comportamento do câmbio
Perto das 16h25 (horário de Brasília), a moeda norte-americana avançava 0,67%, cotada a R$ 2,0950 para a venda. Considerando os patamares de fechamento, o dólar não chegava a essa cotação desde o dia 15 de maio de 2009, quando fechou a R$ 2,109 na venda.

A alta do dólar para perto de R$ 2,10 serve de gatilho para especulações sobre eventuais intervenções do Banco Central para conter a alta da moeda americana, que em apenas duas semanas saiu de R$ 2,03 - nível em torno do qual vinha oscilando desde julho - para acima de R$ 2,09.

Política cambial brasileira
Teoricamente, a política de câmbio do Brasil é chamada de "flutuante", pela qual o preço da moeda norte-americana oscilaria de acordo com os fluxos de entrada e saída de dólares do Brasil.

Entretanto, o governo tem estabelecido, informalmente, o dólar um pouco acima de R$ 2 e, mais recentemente, não tem atuado para conter uma elevação maior do dólar, que já opera acima de R$ 2,05 há alguns dias.
Um valor mais alto para o dólar gera melhores condições de competitividade para as empresas brasileiras, uma vez que suas exportações ficam mais baratas. As compras do exterior, por sua vez, também ficam mais caras. Um dólar mais alto, entretanto, também pode gerar mais pressões inflacionárias.
Para controlar o preço do dólar, o governo tem uma série de instrumentos. Além das compras e vendas de dólares no mercado à vista, o BC também pode operar no mercado futuro (por meio das operações de "swap" cambial tradicionais e reversas).
O Ministério da Fazenda, por sua vez, pode utilizar as alíquotas do IOF para tentar controlar o ingresso de divisas no país – assim como foi feito no passado recente.

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