domingo, 23 de dezembro de 2012

Cerrado vira terra fértil e se torna nova fronteira agrícola


 
TATIANA FREITAS
ENVIADA ESPECIAL A BALSAS (MA), ARAGUAÍNA E PEDRO AFONSO (TO)
 
A terra vermelha do cerrado está mais produtiva do que nunca. Após dobrar a área plantada com soja na última década, o Mapitoba -nome dado à área entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia- promoverá mais um aumento nesta safra, de 12%.
Até o início da década passada irrelevante para o agronegócio, a região é hoje considerada a terceira fronteira agrícola brasileira -depois do Sul, onde não há mais espaço para expansão, e do Centro-Oeste, já consolidado.
Com o avanço tecnológico e investimentos no solo, sementes e irrigação, o clima não é problema para a região.
Editoria de Arte/Folhapress
Na safra passada, o Mapitoba atingiu participação de 8% na produção nacional de grãos, com a colheita de 12,2 milhões de toneladas. Até 2021, ela deve chegar a 20 milhões de toneladas, uma alta de 64%, estima o Rabobank, banco especialista no setor.
Além de ganhos de produtividade previstos com investimentos em novas variedades, fertilizantes e máquinas, a área também deve crescer.
Dois milhões de hectares de terras de boa qualidade ainda estão disponíveis para o plantio -o equivalente a 70% da área cultivada com soja nesta safra-, segundo estimativas do mercado.
"Abrir terras", expressão usada pelos produtores para se referir à derrubada da vegetação nativa e ao preparo do solo para o plantio, é uma constante na região.
Com as chapadas praticamente tomadas por grandes investidores, os produtores agora buscam terras em áreas onde o preço é mais baixo.
"Cada pedaço de terra é garimpado", diz o agricultor Valdir Zaltron, dono de 6.600 hectares entre o Tocantins e o Maranhão. No mês passado, ele comprou mais 350 hectares em Balsas (MA).
Nessa cidade, Idone Grolli, dono da fazenda Cajueiro, de sementes e grãos, também tem plano de expansão. "Pretendemos aumentar a área em 20% na próxima safra."
TODOS "GAÚCHOS"
Atraídos pela terra barata, produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul -apelidados de gaúchos pelos locais- começaram a migrar para o Mapitoba nos anos 1980 e 1990.
Esse processo teve início na Bahia, expandiu-se para o Maranhão e depois seguiu para o Piauí e para o Tocantins, o último Estado do grupo a se desenvolver na agricultura.
"Um alqueirinho no Paraná valia 40 alqueirões aqui", diz o agricultor Moacir Catabriga, que em 1990 comprou a primeira terra no Tocantins.
Além do valor da terra, há diferença na metragem. Um alqueire no Sul (2,4 hectares) é a metade de um alqueire negociado no Norte (4,8 hectares), o chamado "alqueirão".
O crescimento mais significativo do Mapitoba ocorreu a partir de 2000. O boom dos preços das commodities incentivou grandes empresas e fundos de investimento a investir na região. A produção de soja foi multiplicada por quatro, estimulando a instalação de processadoras.
Bunge, Cargill e Algar têm unidades no Mapitoba, que reúne 5% da capacidade total de esmagamento do país, segundo o Rabobank. O agronegócio já representa 30% do PIB dos Estados da região.

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