terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dilma diz que ajustes fiscais podem afetar estabilidade da União Europeia

 

Presidente discursou na abertura do Fórum pelo Progresso Social, em Paris.
Evento organizado pelo Instituto Lula teve presença do governante francês.

Dilma ao lado do ministro da Defesa francês Jean-Yves Le Drian participam de uma cerimônia militar no Hotel des Invalides, em Paris. (Foto: Jacky Naegelen/Reuters)Antes de participar de fórum organizado pelo Instituto Lula, Dilma passou tropas francesas em revista ao lado do ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, em Paris. (Foto: Jacky Naegelen/Reuters)
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (11) que o ajuste fiscal promovido pelos países europeus para tentar conter os efeitos da crise internacional pode comprometer a União Europeia e a Zona do Euro. Na avaliação de Dilma, a estratégia econômica pode afetar o modelo de Estado de bem-estar social implantado em diversos países europeus após a 2ª Guerra Mundial.
“Passamos (países da América Latina) por um grave ajuste fiscal durante duas décadas. Sabemos que o corte (de gastos) radical compromete o futuro de nossa gente. Aqui (na Europa) o corte tem afetado os pilares do estado social. Isso tem afetado igualmente uma das maiores obras do mundo, que foi a criação da União Européia e da Zona do Euro”, discursou a presidente, durante a abertura do Fórum pelo Progresso Social, evento organizado pelo Instituto Lula e pela fundação francesa Jean Jaurès, em Paris.
O evento contou também com as participações do presidente da França, François Hollande, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Anfitrião do encontro, Hollande fez o discurso de abertura do fórum.
Em sua manifestação, a chefe de Estado brasileira analisou o impacto da crise econômica internacional sobre os países europeus e o Brasil. Na avaliação de Dilma, as nações atingidas pela instabilidade econômica mundial tem de buscar um equilíbrio entre medidas de austeridade e de incentivo ao crescimento econômico.
“Superamos a visão incorreta que contrapõe, de um lado, as medidas de incentivo ao crescimento e, de outro, os planos de austeridade. Esse é um falso dilema. A responsabilidade fiscal é tão necessária quanto são imprescindíveis medidas de estímulo ao crescimento, pois a consolidação fiscal só é sustentável em um contexto de recuperação da atividade econômica”, observou a presidente.
Em discurso afinado com o presidente francês, Dilma defendeu que os governantes mundiais procurem conciliar crescimento econômico e geração de emprego como alternativas para combater a crise.
“É preciso muita cooperação e diálogo e que se assuma um compromisso com o crescimento, o emprego, a justiça social e o meio ambiente, para que se possa criar um caminho sustentável para a saída da crise”, disse.
Dilma ainda apoiou a sugestão de Hollande para a criação de um conselho de segurança econômica e social, nos moldes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). A presidente enfatizou, diante de Hollande e Lula, que a recessão e a desordem fiscal podem ter consequências sociais e políticas graves, como a descrença na política, o abandono da democracia, a xenofobia e o desespero pela falta de futuro.

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