domingo, 23 de dezembro de 2012

Exposição detalha vida e obra de Godard


 
Para uns tantos sobreviventes do século 20, o nome de Jean-Luc Godard, 82, tem valor divino. Designa uma lenda viva e ainda ativa da arte moderna, um dos últimos representantes de uma espécie em extinção, que enxergou no cinema um meio de ver e transformar o mundo.
Para a maioria, contudo, a assinatura de Godard continua a ser sinônimo de filmes que ninguém entende. Para todos, a vinda ao Brasil de "Voyages en Utopie" (viagens em utopia) é a possibilidade de compreender o alcance de uma obra ou de vencer o preconceito contra ele.
A exposição que ocupará o espaço do Oi Futuro, no Rio, de 7 de maio a 30 de junho de 2013, reúne um pouco do "caos organizado" que o cineasta montou na instalação que ocupou parte do famoso Centro Pompidou, o Beaubourg, em Paris, em 2006.
Mais importante do que trazer essa "relíquia", a exposição tem como função demonstrar que há outros modos de conceber e ver imagens em vez de apenas sermos colhidos em seu fluxo.
INÉDITA
"Inicialmente, consideramos fazer um compacto, mas alguns materiais, como uma maquete construída por Godard, eram frágeis e já não existem. A exposição que traremos é inédita, com base em outro projeto", esclarece Aída Marques, coordenadora da versão brasileira.
"Esta exposição será bastante distinta daquela do Beaubourg pela simples razão de que Godard não será o seu autor", esclarece o co-curador da exposição, Dominique Païni, ex-diretor da prestigiosa Cinemateca Francesa.
Godard desenvolveu com Païni um projeto para o Beaubourg, mas, na última hora, se desentendeu com o curador. Para cumprir o contrato com o museu, o cineasta expôs a maquete, agregou projeções de trabalhos recentes e assumiu a autoria.
Sem ressentimentos, Païni explicita o enfoque diverso da proposta que trará ao país. "Nós quisemos valorizar as três últimas décadas da produção de Godard, que são as menos conhecidas do público para o qual ele continua a ser o diretor de 'Acossado' e de "Desprezo'", explica.
"A exposição se organizará em torno de vários grandes temas, entre os quais estão a questão do autor Godard, a poética da 'pirataria' das imagens ou ainda a experimentação do cinema em múltiplos suportes."
DIVERSIDADE
Nas seis etapas do percurso, será possível mergulhar nos procedimentos criativos do diretor.
Cada espaço combina um aspecto de seu trabalho com elementos que servem de introdução por meio de imagens, sons e textos, cuja combinação ou dissonância elevam o trabalho do cineasta a um patamar de complexidade com reputação de "difícil".
"Podemos ver a obra de Godard como uma grande obra multimídia feita de colagens, de livros, de CDs, de ensaios em constante evolução". diz a curadora Anne Marquez, que também participou do projeto do Beaubourg.
"É, de fato, a diversidade de mídias que pretendemos valorizar, mostrando como, para Godard, o cinema começa com um papel e um lápis ou na relação entre duas imagens que vão produzir uma faísca", completa Marquez.
Parece viagem na utopia? Nem é tudo. Os mais dispostos ainda precisarão de fôlego para acompanhar a retrospectiva de tudo o que Godard assinou em mais de meio século de carreira.
O ciclo se fecha com todos os filmes dele feitos em película, seus ensaios, as produções publicitárias e os clipes, além de trabalhos exclusivos para a televisão em que o diretor usou o vídeo como suporte.
William Mur/Editoria de Arte
GODARD EXPOSTO: Conheça os seis percursos da mostra e os seus respectivos conteúdos
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