sábado, 22 de dezembro de 2012

Inadimplência perde força e deve fechar 2012 com alta de 4,4%

 

Registros de inadimplentes diminuíram 0,5% na 1ª quinzena de dezembro.
Boa Vista Serviços antecipou ao G1 prévia do balanço de 2012.

Após disparar no ano passado, a inadimplência desacelerou em 2012 e deve fechar o ano com alta acumulada de 4,4% em relação a 2011, aponta balanço preliminar da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), antecipados ao G1.
Segundo a Boa Vista, o número de registros de inadimplentes no país recuou 0,5% na primeira quinzena de dezembro, na comparação com os primeiros 15 dias de dezembro de 2011. Na comparação com a primeira quinzena de novembro, o indicador avançou 2,2%.
"Mantida essa tendência na segunda quinzena do mês, a inadimplência no acumulado do ano ficará em 4,4% de alta, o que será uma desaceleração muito significativa se comparada com os 22% de alta de 2011 (na comparação com 2010)", avalia Fernando Cosenza, diretor de inovação e sustentabilidade da Boa Vista Serviços.
Evolução do indicador de inadimplência da Boa Vista, no acumulado de 12 meses (Foto: Divulgação)Evolução do indicador de inadimplência, na variação acumulada em 12 meses (Foto: Reprodução/Boa Vista)

O indicador é calculado a partir das inclusões e exclusões de inadimplentes no SCPC, serviço que é atualizado diariamente por mais de 30 mil credores de todo o país, entre bancos, varejistas e administradoras de cartão de crédito. Segundo a Boa Vista, a média é de 9 a 10 milhões de inclusões por mês.
Os números da Boa Vista mostram que a inadimplência desacelerou no país a partir de maio. "Este foi um ano em que as condições de emprego e renda persistiram e de baixa dos juros. Mas mais significativo do que a Selic foi a baixa das taxas de juros para o consumidor final e a busca pelo acerto das contas por parte dos inadimplentes", destaca Cosenza.
Em sua última reunião de 2012, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 7,25% ao ano, na mínima histórica, depois de dez cortes consecutivos na taxa básica de juros da economia brasileira.
'Famílias devem começar 2013 mais cautelosas'
A Boa Vista avalia que o indicador de inadimplência deverá continuar perdendo força em 2013. "A tendência é de desaceleração, chegando eventualmente em zero talvez já no segundo trimestre de 2013", projeta o diretor da Boa Vista. Para ele, mantida as condições macroeconômicas, é possível que a inadimplência tenha "crescimento negativo" no final de 2013 no comparativo com 2012.

Pelas estimativas da administradora do SCPC, menos de 30% da população economicamente ativa do Brasil encontra-se atualmente inadimplente.
O diretor da Boa Vista acredita que o crescimento da base de consumidores com acesso à crédito, a maior oferta por parte dos bancos e o cenário de juros baixos contribuirão para um comprometimento menor da renda e um recuo do número de brasileiros inadimplentes.
Segundo o Banco Central, o volume total do crédito bancário (estoque) atingiu neste ano R$ 2,26 trilhões, o equivalente a 51,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar da expansão nos últimos anos, a taxa ainda é menor do que nos países desenvolvidos, onde o nível chega a ser suprior a 75%.
"As famílias devem começar 2013 mais cautelosas, com um endividamento médio na casa de 43% da renda anual, na medida em que já perceberam o alto custo de ficar inadimplente", projeta Cosenza. "A consciência de ter controle sobre o orçamento chegou para o brasileiro. Agora o que falta é a prática", completa.

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