domingo, 23 de dezembro de 2012

O Instagram voltou atrás, mas sua imagem já está prejudicada


 
Uns dez anos atrás, Bill Gates era o homem mais poderoso do universo. O dono da Microsoft estava se regalando com a fortuna que amealhara, e anunciava aos quatro ventos o que pretendia fazer com ela. Compraria os direitos de milhares de obras de arte. Incluiria todos os livros jamais escritos numa infinita biblioteca virtual. Quem precisasse consultar qualquer coisa, teria que lhe pagar pedágio.
Foi o que bastou para ser tachado de megalomaníaco, nazista e daí para baixo. Um ativista atirou-lhe uma torta na cara, e a foto foi manchete no mundo inteiro. Nem o singelo fato dele ter se engajado em dezenas de causas sociais e doado a elas grande parte de seu dinheiro, através da Fundação Bill e Melinda Gates, serviu para aliviar sua barra. Durante muito tempo, Bill Gates foi sinônimo de babaca --e hoje está até meio esquecido.
Claro que não foi só isto o que provocou a relativa derrocada da Microsoft. Produtos inadequados, marketing deficiente, a ascensão da Apple, tudo isto contribuiu. Mas a imagem de ganância "conquistada" por seu fundador acabou por contaminar a própria empresa, que perdeu a aura de "cool".
E isto foi no começo da década passada, quando ainda nem existiam as redes sociais. Hoje em dia a barafunda seria ainda maior. Como foi nos últimos dias, quando o Instagram (que agora pertence ao Facebook) anunciou que passaria a comercializar as fotos de seus usuários sem lhes repassar um só tostão. Quem permanecesse na rede depois de 16 de janeiro estaria tacitamente autorizando essa tungada.
Reprodução
Site do aplicativo Instagram, que anunciou segunda-feira (17) nova política de uso
Site do aplicativo Instagram, que anunciou segunda-feira (17) nova política de uso
Este aviso vai entrar para a história como uma das grandes derrapadas estratégicas de todos os tempos. Se o Instagram tivesse dito que racharia os lucros com os usuários, o planeta estaria em festa. Milhares de pessoas estariam tirando fotos caprichadas de produtos e restaurantes, na esperança de faturar uns trocadinhos.
Mas a cobiça do Facebook falou mais alto. É até compreensível: a rede ainda não encontrou uma maneira apropriada de se monetizar. Muitos anunciantes estão insatisfeitos com os resultados de suas campanhas no Face, e procurando outros veículos onde investir suas verbas.
Junte-se a isto a fama de mau-caráter de Mark Zuckerberg, propagada principalmente pelo filme "A Rede Social", e um pesadelo mercadológico começa a se formar. Por muito menos, o Orkut perdeu a onipresença que tinha há até pouco tempo.
Só que, graças à resposta instantânea que as próprias redes sociais possibilitam, o Instagram percebeu a burrada que estava a ponto de cometer. Ontem já soltou um comunicado dizendo que veja bem, não é bem isto, ninguém entendeu direito (claro que um pouco da culpa tinha que ser jogada nos usuários, que pelo jeito são semianalfabetos), mas a nova política será alterada. Em outras palavras, por favor não vão embora.
Foi um retrocesso correto, mas um ligeiro estrago já tinha sido feito. E nem foi a primeira vez: as constantes mudanças nas regras de privacidade já fizeram que muita gente perdesse a paciência com o Facebook. A imagem de invasor inescrupuloso está se grudando a ele, que precisa fazer mais a respeito se quiser continuar com o poder que tem hoje. Lembrem-se do Bill Gates.

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