terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Para PF, Rose era 'braço político' da quadrilha de venda de pareceres.

 
Relatório entregue à Justiça Federal na sexta-feira diz que ex-chefe de gabinete da Presidência 'fazia aquilo que Paulo Vieira pedia'
No relatório da operação 'Porto Seguro' que entregou à Justiça Federal na última sexta-feira, a Polícia Federal sustenta que Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, era 'o braço político da quadrilha' que se instalou em órgãos públicos para compra de pareceres técnicos fraudulentos.
Segundo a PF, Rose 'fazia aquilo que Paulo Vieira pedia'. Vieira, ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), foi nomeado para o cargo por recomendação e ingerência de Rose que, em troca de e-mails interceptada pela PF, dizia a seus interlocutores frequentemente que se reportava ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem rotulava de PR.
A PF sustenta que Vieira era o líder da organização que teria se infiltrado nas repartições federais, inclusive três agências reguladoras, para atender interesses empresariais, como do ex-senador Gilberto Miranda, que também foi indiciado no inquérito da Porto Seguro.
Um irmão de Paulo, Rubens Vieira, chegou a cargo estratégico – diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – pelas mãos de Rose, conclui a PF.
'(Rosemary) marcava reuniões, colocava pessoas de interesse de Paulo em contato com autoridades', assinala o relatório da PF.
Rose foi indiciada pela PF em quatro crimes: corrupção passiva, falsidade ideológica, tráfico de influência e formação de quadrilha. Nomeada para o cargo em 2009 pelo então presidente Lula, ela foi demitida no último dia 24 pela presidente Dilma Rousseff, quando estourou a operação 'Porto Seguro'.
Segundo a PF, Rose mantinha 'relação estável' com a organização, não agia apenas pontualmente. O relatório da PF diz que Rose 'não usava propriamente o gabinete (da Presidência da República), mas se valia certamente do cargo e da influência'.
No despacho de indiciamento de Rose – que não prestou depoimento, ficou em silêncio –, a PF assinala vantagens que ela recebeu no exercício da função, como passagens para cruzeiros marítimos, obtenção de nomeações de familiares – inclusive a filha, Mirelle – em cargos públicos sem concurso.
O documento da PF reitera observações já feitas anteriormente, quando do indiciamento criminal de Rose.
Segundo a PF, a ex-chefe de gabinete da Presidência foi enquadrada por tráfico de influência e corrupção 'em razão da identificação de constantes trocas de favores com relevante valor financeiro entre ela a o grupo de Paulo Vieira, cobranças de serviços de reforma prestados, cobrança de pagamento de '30 livros' por trabalho realizado, promessa de influência para indicação para cargos, produção de documentos ideologicamente falsos'.
A PF diz ainda que Rose agia 'como particular, e valendo-se de sua amizade e acesso com pessoas em diversos órgãos públicos, para atuar e influir em nomeações e indicações.'
(Estadão Online)
Advogado de Rosemary diz estar surpreso com novo indiciamento
O advogado de Rosemary Noronha, Celso Vilardi, disse, no domingo, ter ficado surpreso com a decisão da Polícia Federal de indiciar sua cliente sob suspeita de formação de quadrilha e afirmou que, 'curiosamente', a acusação só 'foi feita após fazermos uma petição reclamando dos vazamentos' de supostas conversas privadas da investigada.
Rose, como ela é conhecida, foi chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Ela é um dos alvos da operação 'Porto Seguro' e já era investigada por suspeita de tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
'Fiquei surpreso porque todos os elementos [do inquérito] já eram conhecidos. Curiosamente esse novo indiciamento só foi feito após fazermos a petição reclamando dos vazamentos', disse VilardI.
Ele negou, no entanto, que estivesse insinuando que a nova acusação fosse uma retaliação. 'Não acredito em retaliação. Só acho curioso.'
Vilardi disse ainda que, 'no momento certo', fará a 'comprovação da inocência de Rose em todas as acusações'.
Ele afirmou ainda que não vê 'sentido' nas tentativas da oposição de levar Rose para prestar depoimento no Congresso. 'O foro adequado é o jurídico', encerrou.
(Folha Online)

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