segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Atividades que exigem pouco estudo são as que mais ganham profissionais no Brasi

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As ocupações que mais ganharam trabalhadores em números absolutos no Brasil nos últimos nove anos são as que não exigem nível superior, como auxiliar administrativo, vendedor e ajudante de construção civil.
Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho apontam que, de 2003 até o fim do ano passado, o mercado de trabalho formal cresceu 60% -de cerca de 30 milhões de vínculos empregatícios para 47,5 milhões. A Rais é a compilação de documentos que os empregadores enviam ao Ministério. Até 2003, a metodologia era outra.

Anselmo Luis dos Santos, professor de economia da Unicamp, credita o grande aumento de vínculos em ocupações que não exigem graduação ao crescimento da economia. "Quando o PIB aumenta, o setor de serviços contrata muito, mais do que outros setores. É uma tendência histórica no Brasil", diz.
Eduardo Anizelli/Folhapress
Alexandra Dias, auxiliar administrativa, responsabiliza-se pelo setor de contas a receber da Visual Turismo
Alexandra Dias, auxiliar administrativa, responsabiliza-se pelo setor de contas a receber da Visual Turismo
Outro motivo disso, diz o professor Samir Cury, da Fundação Getulio Vargas, é que essas eram profissões nas quais havia muita informalidade, o que diminuiu nos últimos anos. Isso aconteceu, por exemplo, com os ajudantes de construção civil, segundo ele.
A atividade de auxiliar administrativo foi a que teve o saldo mais alto no período: cerca de 1,5 milhão.
Esses profissionais "são 'pau para toda a obra', às vezes são recepcionistas, às vezes são digitadores", diz Sebastião Luiz de Mello, presidente do Conselho Federal de Administração.
Alexandra Rodrigues de Lima Dias, 32, auxiliar administrativa da Visual Turismo, por exemplo, é responsável pelas contas a receber das filiais da empresa. "Acompanho se o dinheiro foi depositado ou não", diz.
Ela explica que, para exercer a profissão, não precisa de diploma universitário.
Muitas empresas computam como auxiliares administrativas profissionais que, na prática, exercem a função de secretárias, diz a presidente do sindicato das secretárias do Estado de São Paulo, Isabel Cristina Baptista.
"É uma nomenclatura que certos empregadores usam para mascarar a atribuição verdadeira da profissional."
A ocupação de técnico em secretariado é uma das que mais perderam profissionais. Em 2003, eram pouco mais de 100 mil e, atualmente, cerca de 77 mil.
As secretárias-executivas (por lei, são obrigadas a ter curso superior) aumentaram em 60 mil e chegaram a mais de 150 mil no total.
Bruna dos Santos Silva, 23, é uma das que irão fazer esse exato movimento: atualmente,
é técnica em secretariado e exerce essa ocupação, mas ela cursa graduação para se tornar secretária-executiva.

Silva relata que fez curso técnico porque, quando se formou no ensino médio, não sabia direito o que queria se tornar profissionalmente.
Bruno Poletti/Folhapress
Bruna dos Santos Silva é técnica em secretariado e faz curso superior para tornar-se secretária-executiva
Bruna dos Santos Silva é técnica em secretariado e faz curso superior para tornar-se secretária-executiva
No entanto, ela já não vê muito sentido na formação. "Quando as pessoas vão buscar cursos, pensam: 'Por que ficar um ano e meio no técnico se posso partir direto para o superior?'".
TODO MUNDO VENDE
Jaime Vasconcellos, assessor econômico da FecomercioSP, aponta que, entre 2003 e o fim do ano passado, o país ganhou 491 mil novas lojas. Com isso, o número de vendedores aumentou bastante.
Foi o segundo que mais cresceu -cerca de 1,5 milhão de profissionais a mais, um pouco menos do que o de auxiliares administrativos.
O setor varejista, diz Vasconcellos, é tradicionalmente o que mais dá o primeiro emprego às pessoas.
Foi assim com Ana Mariano, 19, vendedora de uma loja da marca TNG. Ela conta que começou em outra empresa aos 14 e, por isso, já tem cinco anos de experiência.
Ela relata que nesse período viu vendedores que ficam alguns anos em uma empresa, mas que é comum testemunhar gente trocando de emprego com frequência.
Para Vasconcellos, a rotatividade da mão de obra é o maior desafio de recursos humanos do setor.
Danilo Verpa/Folhapress
Ana Mariano, vendedora na loja TNG, trabalha há cinco anos, apesar de ter apenas 19
Ana Mariano, vendedora na loja TNG, trabalha há cinco anos, apesar de ter apenas 19
1,15 MILHÃO
Foi o acréscimo de formalizados em 2012; o total chegou a 47,5 milhões

128 MIL
Vendedores a mais; o maior crescimento entre todas as ocupações em 2012: são 1,5 milhão ao todo

10 MIL
Auxiliar administrativo não teve grande aumento no ano passado, mas chegaram a 4,5 milhões

52 MIL
Em 2012, houve queda do número de garis; eles somam 941 mil

33 MIL
Trabalhadores de cultura de gramíneas, como cana-de-açúcar, a menos em 2012; agora são 230 mil

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