terça-feira, 15 de outubro de 2013

Retrato instantâneo: Dilma ganha, Aécio perde e o fantasma de Eduardo

          A pesquisa Datafolha, como todas as pesquisas, é um retrato do momento e, portanto, uma avaliação de seus dados não passa de uma análise contida no seu tempo.
Esta pesquisa mostra, em primeiro lugar, que a presidente Dilma é a grande beneficiada da ausência de Marina Silva (Rede) da cédula eleitoral. Tanto que está de volta um cenário em que Dilma poderia vencer o pleito no primeiro turno. O levantamento mostrou também que o maior contingente de eleitores que estavam dispostos a votar em Marina migraram para a presidente. Não é à toa que a presidente Dilma andou declarando que está "numa fase de beijos". Como se pode ver, a presidente repisa o "Lulinha paz e amor" da eleição de 2002.
Sempre haverá quem dirá que "há muita água para correr debaixo desta ponte". Mas essa sabedoria, de botequim, não quer dizer nada, quando se trata de um recorte do momento. É óbvio que em política e eleições não há bola de cristal, apenas se pode falar em tendência.
O Datafolha sinaliza que a situação da candidatura do PSDB é, no mínimo, periclitante. O senador Aécio Neves é um político de qualidade, mas como candidato ele tem que carregar um peso enorme nas costas. As pesquisas anteriores já mostravam que Marina Silva tinha um desempenho melhor que o seu. E, agora, esta revela que com o apoio de Marina Silva, o candidato do PSB, Eduardo Campos, entra com força na briga pelo segundo lugar. Além disso, serão dois e não mais três candidatos tentando levar a eleição para o segundo turno.
A despeito da vontade de uns e de outros, este novo cenário indica que nos próximos meses, na vida real, o embate político principal será entre as candidaturas  Aécio Neves e Eduardo Campos. Quem tem maior possibilidade de ir para o segundo turno? Aécio terá de mostrar aos eleitores que encarna melhor a idéia de mudança. Eduardo terá de convencer os eleitores que ele representa a renovação política. Quem vai vencer? Só o debate político vai nos revelar. 
Podemos concluir, com os dados de que dispomos agora, que o único candidato que será assombrado, nos próximos meses, será Eduardo Campos. Marina é hoje eleitoralmente maior do que ele. 
O "Volta Serra" tem pouca consistência. Sua rejeição está na casa dos 36% e os entrevistados que dizem que não votariam num candidato apoiado por ele são 54%. Ou seja, ele precisa ser deixado de lado na campanha. 
O mesmo vale para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo governo foi decisivo para a construção do país que temos hoje. Os entrevistados também não votariam num candidato apoiado por ele (58%). E dizer que os tucanos se dedicaram por meses à fio, neste último período, tentando resgatar a imagem do governo do ex-presidente.
Por fim, o ex-presidente Lula continua sendo o principal cabo eleitoral da política brasileira. Seu apoio faria com que 38% votassem num candidato, enquanto 31% não votariam.
O "Volta Lula" é sempre uma possibilidade, sobretudo nas especulações embaladas pela oposição e por petistas "marginalizados" pelo atual governo e que posam de "íntimos" e bem informados sobre o que se passa na "alma" do ex-presidente. Mas o Datafolha mostra que a presidente Dilma é competitiva, se fortalece com o apoio de Lula. Portanto, por hora, não se pode dizer que ela está colocando em risco o projeto de poder do PT.
Mas como se diz, no jargão popular, "o futuro a deus pertence".

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