sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Em o Tufão 2, a Vingança. Longe do óbvio, 'Amores Roubados' surpreende.

Cauã Reymond e Isis Valverde em cena da minissérie 'Amores Roubados'

Cauã Reymond e Isis Valverde em cena da minissérie 'Amores Roubados'
Nesta noite em que vai ao ar o décimo e último capítulo de "Amores Roubados", desconfio que alguém na Globo deve estar se perguntando: o que esta minissérie tem que outras semelhantes não tiveram?
O trabalho da dupla José Luiz Villamarim, diretor-geral, e George Moura, autor, repetiu um padrão de qualidade já visto em outros projetos especiais da emissora, mas alcançou algo mais.
Na métrica mais fácil de compreender, a do Ibope, "Amores Roubados" termina com índices surpreendentes, mesmo sofrendo, no meio do caminho, brusca alteração no horário de exibição. A série ficou bem acima da média tanto ao ser exibida depois de "Amor à Vida" quanto, posteriormente, quando passou a ir ao ar só após o "BBB".





Houve quem tentasse colocar os altos números na conta das cenas quentes vividas pelo protagonista Leandro (Cauã Reymond) nos primeiros capítulos.
Filho de uma prostituta (Cassia Kis Magro), o rapaz com alma de Dom Juan conquistou, em sequência, três mulheres poderosas —duas mulheres de coronéis, Celeste (Dira Paes) e Isabel (Patrícia Pillar), além da filha desta, Antônia (Isis Valverde).
Mas a audiência continuou alta, e até aumentou, mesmo quando ela perdeu o ímpeto inicial e a narrativa evoluiu para um thriller, mostrando como Leandro passa a ser caçado pelo coronel da cidade, Jaime (Murilo Benício), que se transforma após descobrir que a mulher foi uma das que caíram na lábia do herói.
Por fim, de forma engenhosa, os diferentes dramas que resultaram da ação de Leandro são narrados paralelamente e vão se entremeando. O protagonista, ausente em quase toda a segunda metade da série, é a sombra que dá liga a tudo.
Além da história atraente, outras qualidades saltam aos olhos: bons diálogos, ótimo elenco, direção de atores, fotografia "cinematográfica" (de Walter Carvalho), um cenário bonito e pouco explorado pela TV (o vale do rio São Francisco), além de impressionantes cenas de ação.
Houve, é claro, espaço para clichês e momentos piegas. Leandro e Antônia evocaram "Titanic" no rio São Francisco. Isabel, em transe, fez sexo com um ciclista desconhecido logo depois de atropelá-lo. Também houve problemas técnicos, com o som, apesar dos os cuidados da produção.
Não deveria, mas ainda surpreende estar diante da televisão nestes momentos em que ela faz a opção pelo menos óbvio —quando o texto dito por atores mais sugere do que afirma, a câmera evita closes e prefere mostrar o movimento dos personagens no espaço e, igualmente importante, não há aquela obsessão em preencher os vazios com ação desnecessária ou uma música qualquer.
Nestes momentos em que o produto resulta em algo distante da pasteurização geral, com uma cara original, a TV mostra a sua força. E o público responde positivamente.

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