sábado, 15 de fevereiro de 2014

O ídolo russo Evgeni Plushenko: do céu ao inferno em uma semana

Olimpíada de Inverno

Patinador que ganhou a vaga para Sochi no grito decepciona parte dos fãs ao desistir da competição por conta de uma lesão – o presidente Vladimir Putin deu sua absolvição ao atleta

Alexandre Salvador, de Sochi
Patinador russo, Evgeni Plushenko, duranre uma sessão de treinos nos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia
Patinador russo, Evgeni Plushenko, duranre uma sessão de treinos nos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia (Lucy Nicholson/Reuters)
A patinação artística é uma modalidade excessivamente dramática, envolve muitas vaidades e tem nuances que normalmente não são vistas em outras modalidades. Também pudera, esse é o esporte com o maior componente artístico dos Jogos Olímpicos de Inverno (e, talvez, dos de Verão também) - seus bastidores são um verdadeiro dramalhão, digno de novela. Na quinta-feira passada, o patinador russo Evgeni Plushenko, que há uma semana fez uma apresentação irrepreensível e que ajudou a Rússia conquistar sua primeira medalha de ouro em Sochi, sentiu uma lesão nas costas enquanto se aquecia para a competição individual. Plushenko chamou seus técnicos de canto, comunicou a lesão e teve que deixar o rinque de patinação sob o olhar de 12 000 espectadores incrédulos. Minutos mais tarde, o patinador anunciou sua aposentadoria. Não se fala em outra coisa na Rússia, com tiros e alfinetadas partindo de todos os lados.
A lesão e a desistência de Plushenko talvez passariam livre de críticas, não fossem as condições de sua classificação para a Olimpíada de 2014. O patinador de 31 anos é o principal nome da modalidade na Rússia nos últimos 15 anos, com uma medalha olímpica dourada e duas prateadas antes dos Jogos de Sochi, mas vinha lidando com uma série de lesões e cirurgias – foram 12 operações, a última foi em suas costas, para recolocar um disco intravertebral, no ano passado. “Vocês sabem pelo o que ele passou? Ninguém sabe. Havia apenas uma chance em mil de que ele poderia retornar ao esporte”, disse sua mulher e fiel escudeira Yana Rudkovskaia, que também revelou que ele treinava mais de 10 horas às vésperas da Olimpíada.
O fato é que Plushenko não era mais o patinador número 1 da Rússia antes dos Jogos de Sochi. O jovem de 18 anos Maxim Kovtun era quem tinha o melhor ranking, e que por isso merecia a vaga olímpica. Mas Plushenko se recusou a participar das seletivas nacionais e exigiu uma exibição, a portas fechadas, com os técnicos e dirigentes do esporte russo. Ninugém sabe ao certo o que aconteceu dentro da sala, mas o fato é que Plushenko conquistou a vaga, no grito. Tudo ia bem, a escolha depois da medalha por equipes parecia a mais acertada até a finais individuais. Se tivesse Plushenko desistido antes de colocar os pés no rinque de patinação, a confederação russa conseguiria substituí-lo por outro atleta. Foi o seu egoísmo, de não reconhecer suas limitações quando deveria, que acendeu a faísca necessária para começar o incêndio.
“Eu apoio pessoas que vão até o fim”, disse seu antigo rival nos patins, o russo Alexei Yagudin. “Estávamos esperando uma luta dura de Plushenko frente aos outros patinadores, mas não foi o que recebemos.” Obviamente, foi o momento que todos seus antigos rivais e inimigos – e Plushenko tem vários, graças a seu jeito arrogante – estavam aguardando. Nesse momento, talvez a única opinião que importa para Plushenko é a do “dono da festa” em Sochi: o presidente Vladimir Putin. O neo-czar russo, que não costuma aliviar com quem fracassa ou o decepiciona, foi surpreendentemente compreensivo. “"Ele atuou no evento por equipe e mostrou o seu melhor resultado”, disse Putin. “Ele realmente tem um problema sério de saúde, com todas aquelas cirurgias.” Com uma declaração dessas, Plushenko ao menos sabe que não será enviado para a Sibéria.

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