sábado, 23 de agosto de 2014

Pastor Everaldo vira linha-auxiliar da oposição em entrevista ao "JN"

Candidato do PSC faz crítica contundente à Petrobras, que tem a presidente Dilma no epicentro de uma grave crise


William Bonner e Patricia Poeta entrevistam Pastor Everaldo, do PSC (Foto: João Cotta/Globo/Divulgação)

Numa eleição em que os três primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto são de partidos que transitam no espectro político da centro-esquerda, Pastor Everaldo (PSC) tem a pista da direita livre para acelerar neste início de campanha. A julgar pela entrevista do candidato ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta terça (19) é exatamente isso que ele fará.
Enquanto Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) passaram boa parte de suas entrevistas na série do JN medindo cada palavra, Pastor Everaldo soltou a língua e o verbo, sem medo das controvérsias. Sabatinado pelos jornalistas William Boner e Patrícia Poeta, ele, entre tantas idéias polêmicas, anunciou a intenção de vender a Petrobras. Vale lembrar que, historicamente, esse é um dos temas mais espinhosos das campanhas presidenciais do Brasil após a redemocratização. Em 2006, sob fogo do PT, Geraldo Alckmin (PSDB) teve de vestir uma jaqueta com o logo da Petrobras, na tentativa de provar que não tinha a intenção de privatizar a estatal. O também tucano José Serra foi alvo de ataques semelhantes em 2010. "Eu vou privatizar a Petrobras. A Petrobras hoje, uma empresa pública nacional, é foco de corrupção e tem uma dívida astronômica de mais de R$ 300 bilhões. Então, eu vou privatizar (se for eleito). O petróleo é nosso, mas a Petrobras hoje não é nossa", Pastor Everaldo nesta terça-feira ao JN.
Nesse ponto, ao caminhar rumo ao extremo do liberalismo econômico, é pouco provável que Everaldo arrebanhe milhões de eleitores ou até mesmo seja levado a sério pelo mercado e seus especialistas. De imediato, pode-se afirmar que declarações como essas atrapalham a presidente Dilma Rousseff, no epicentro da crise da Petrobras, e levantam a dúvida: a candidatura dele servirá apenas como linha-auxiliar da oposição? O próprio candidato na entrevista confessou ter mágoas da presidente Dilma: "Nós (PSC) elegemos mais que o PCdoB. É natural que esperávamos um espaço maior no governo. Não é um toma-lá-dá-cá. Ficamos decepcionados pela maneira como foi formado o governo", afirmou.
No campo dos costumes, no entanto, as declarações de Pastor Everaldo ganham força e coerência (concorde-se ou não com elas), seja pela contundência com que ele as conclama ou pela posição de líder evangélico que ocupa: "Casamento para mim é homem com mulher", disse. Por tudo isso, ele se coloca como o candidato mais conservador desta campanha, que a partir desta quarta-feira (20) ganhará novos rumos com a entrada de Marina Silva (PSB) na disputa, já que Marina é evangélica como Pastor Everaldo, porém, embrenhada no chamado "eleitorado progressista" das grandes cidades.
Depois do Jornal Nacional, os candidatos à Presidência da República ainda serão entrevistados pelo Jornal da Globo, na semana de 1º de setembro, e no Bom Dia Brasil, na semana de 22 de setembro. O debate final da Globo está previsto para 2 de outubro.

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