sábado, 6 de setembro de 2014

Neymar apanha, se vinga com golaço e dá vitória ao Brasil

No reencontro com a Colômbia de Zúñiga, o craque marcou de falta, já no final do jogo, e encerrou a sequência de derrotas da seleção. Dunga reestreou bem

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Com gol de Neymar, o Brasil derrota a Colômbia na volta de Dunga ao comando da seleção, em amistoso disputado em Miami
Com gol de Neymar, o Brasil derrota a Colômbia na volta de Dunga ao comando da seleção, em amistoso disputado em Miami - Bruno Domingos/Mowa Press/Divulgação/VEJA
Na saída do gramado, o craque tratou de dividir os méritos pelo triunfo com os companheiros. “A seleção não é de um só jogador, de um só nome”, disse Neymar
A seleção brasileira iniciou uma nova fase, mas uma coisa não mudou: a equipe, agora treinada por Dunga, continua dependendo do talento de Neymar para vencer. Na reedição da partida de quartas de final da Copa do Mundo, contra a Colômbia, em amistoso disputado nesta sexta-feira, no Sun Life Stadium, em Miami, o camisa 10 estreou como capitão e marcou o gol da vitória, de falta, no fim da partida: 1 a 0. Depois de sofrer dez gols nos dois últimos jogos (derrotas para Alemanha e Holanda na Copa), o Brasil quebra a sequência negativa. Apesar do pouco tempo de trabalho, a seleção de Dunga fez um bom jogo contra um adversário que, assim como no Mundial, bateu bastante. O alvo preferencial, de novo, foi o principal craque brasileiro. Um dos destaques do jogo, aliás, foi o reencontro entre Neymar e seu algoz Zúñiga, o lateral que tirou o craque da Copa ao dar uma joelhada nas costas do brasileiro. Eles ficaram frente a frente antes mesmo do jogo, pois foram os capitães de suas equipes. Na hora de definir quem sairia com a bola, o colombiano, sob os olhares do trio de arbitragem, abraçou o camisa 10. "Ele pediu desculpas, disse que não teve intenção de machucar, está tudo certo", contou o brasileiro depois do jogo, em entrevista à TV Globo. Neymar retribuiu o carinho e afagou Zúñiga nos instantes que antecederam o duelo. Esse clima cordial, no entanto, acabou quando a bola rolou. Depois da vitória, Neymar disse que os colombianos "bateram um pouquinho" e, sorrindo, comemorou: "Ufa, pelo menos saí bem hoje".
A partida começou lembrando bastante o confronto ocorrido há dois meses, em 4 de julho, no Castelão, em Fortaleza: brasileiros e colombianos marcavam forte e não aliviavam nas divididas, dando muito trabalho ao trio de arbitragem, formado por três canadenses. Os atletas da seleção pentacampeã reclamaram demais da condução da partida – e David Luiz, um dos jogadores marcados pela falta de equilíbrio emocional no Mundial, voltou a mostrar um nervosismo excessivo, dando empurrões e trombadas nos adversários. Mas seus companheiros de defesa, Maicon, Miranda e Filipe Luís, faziam um jogo seguro, controlando bem as investidas colombianas. Do meio para a frente, o Brasil tentava acelerar o ritmo e mostrar um futebol intenso e dinâmico, mas tinha dificuldade para concretizar seus lances ofensivos. Assim como na primeira passagem de Dunga pelo comando da seleção, o time tinha no contra-ataque sua arma mais perigosa: aos 24, em jogada de Filipe Luís, Tardelli marcou, mas a arbitragem anulou, anotando um impedimento que não aconteceu; aos 32, em rápida trama no ataque, Oscar recebeu de cara para o goleiro Ospina, mas chutou para fora. Essas foram as duas melhores oportunidades brasileiras na primeira etapa, em que o Brasil voltou a jogar sem um centroavante fixo, o que não acontecia desde a gestão de Mano Menezes, demitido em 2012.
Bruno Domingos/Mowa Press/Divulgação/VEJAO reencontro entre Neymar e Zúñiga logo antes do jogo, em Miami
O reencontro entre Neymar e Zúñiga em Miami
Pelo lado colombiano, os chutes de longa distância foram os lances mais perigosos. Aos 34, Ramírez soltou a bomba e Jefferson fez grande defesa; aos 37, Zúñiga arriscou de longe, e a bola passou raspando o travessão. Logo em seguida, o lateral que tirou Neymar da Copa levou o cartão amarelo por uma falta dura no camisa 10 brasileiro – que, assim como na batalha do Castelão, foi alvo de uma marcação implacável. Se Dunga tentou recuperar algumas características da seleção em sua primeira passagem pelo cargo, pelo menos isso permaneceu igual em relação ao time de Luiz Felipe Scolari: o papel absolutamente destacado de Neymar na criação das jogadas e em quase todos os lances de perigo do time. O jovem craque, porém, não conseguiu furar a defesa colombiana na primeira etapa: depois de 45 minutos, 0 a 0 no placar e um duelo extremamente equilibrado e pegado. Na volta para o segundo tempo, para evitar o risco de uma expulsão, o Brasil voltou sem seus dois jogadores que levaram cartão amarelo na etapa inicial: Luiz Gustavo e Ramires deram lugar a Fernandinho e Elias. O técnico argentino da Colômbia, Jose Pekerman, não tomou o mesmo cuidado e acabou ficando com um jogador a menos logo no início da segunda etapa: o meia Cuadrado, que já tinha participado de vários lances violentos no primeiro tempo, voltou do vestiário pendurado e acabou sendo expulso ao fazer nova falta em Neymar e levar o segundo amarelo. O capitão do Brasil foi atingido com ainda mais violência aos 9 minutos, por Gutiérrez, que deu uma rasteira brutal no craque.
Na cobrança da infração, mais um lance que lembrou o confronto do Castelão: David Luiz, autor do gol da vitória na Copa, bateu com efeito; desta vez, porém, Ospina conseguiu espalmar. O lance de bola parada foi uma das raras tentativas do Brasil. Mesmo em vantagem numérica, o time não conseguia levar muito perigo ao gol colombiano – os adversários marcavam bem e fechavam os espaços. Aos 26, Dunga resolveu mexer, colocando Philippe Coutinho e Everton Ribeiro, novidades de sua convocação, no lugar de Oscar e Willian. Pekerman respondeu colocando Falcao Garcia, o artilheiro colombiano que não foi à Copa por causa de uma contusão e não começou o jogo desta sexta por estar longe das condições físicas ideais. James Rodríguez, que teve atuação discreta, deu lugar ao matador. Dunga fez mais duas alterações: Robinho no lugar de Tardelli (que teve boa movimentação na frente, participando muito mais do que Fred no time de Felipão) e Marquinhos na vaga de David Luiz, que saiu depois de sentir dores no joelho. Mas quem tinha o poder de mudar o jogo já estava em campo: aos 37, Neymar bateu falta com perfeição, no ângulo, sem chances para Ospina, e deu a vitória ao Brasil. Na saída do gramado, ele tratou de dividir os méritos pelo triunfo com os companheiros. “A seleção não é de um só jogador, de um só nome”, disse Neymar. Com Felipão ou Dunga no banco, porém, o camisa 10 continua sendo a chave para o sucesso do Brasil em campo. A equipe volta a campo na terça-feira, em Nova Jersey, contra o Equador.

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