Ferrari P4/5 chamou atenção ao ser exibida pela primeira vez em 2006 (Foto: Simon Davison/Wikimedia)Ferrari P4/5 chamou atenção ao ser exibida pela primeira vez em 2006 (Foto: Simon Davison/Wikimedia)
Avanços em desenho por computador e testes de segurança virtuais ampliaram o campo para empresas especializadas em criar carros únicos para consumidores milionários, que vão desde colecionadores de automóveis a estrelas do rock.
Entre os últimos exemplos de carros feitos sob medida, estão uma versão moderna do Lancia Stratos fabricado pelo estúdio Pininfarina para Michael Stotschek, presidente da fabricante de autopeças Brose, utilizando peças de uma Ferrari F430.
O guitarrista Eric Clapton sonhava com uma versão atualizada da Ferrari Berlinetta Boxer, da década de 1970. Então Pininfarina e Ferrari se juntaram para criar a exclusiva SP12 EC, derivada da 458.
O ex-diretor de cinema e investidor americano James Glickenhaus decidiu que ia gostar mais da Ferrari Enzo, se o design acompanhasse o estilo dos carros de corrida da década de 1960. Assim surgiu a única Ferrari P4/5 do mundo.
Estes são alguns indícios de que já não basta mais ter um Porsche, ou uma Ferrari. Desse modo, estúdios de design como Castriota, Zagato, e Carrozeria Touring, além da já citada Pininfarina, estão faturando com a busca pelo exótico e exclusivo, com preços que vão de alguns milhares a milhões.
Tecnologia
“Sem dúvida, a verdadeira revolução que ocorreu nos últimos anos foi a da aceitação oficial de modelos matemáticos e de simulações virtuais”, afirmou Andrea Zagato, membro da terceira geração do estúdio italiano localizado em Milão. A grande mudança é que agora os órgãos reguladores aceitam simulações em computador de provas que eram feitas apenas em testes de colisão anteriormente.
O resultado disso é um período de “renascença” para a customização das carrocerias em 5 anos, o que modernizou radicalmente uma indústria que remete à época em que a personalização era feita em carruagens, de acordo com especialistas.
Custos
Para manter os custos “reduzidos”, a maioria destes veículos feitos sob medida usam motores e estruturas de superesportivos, mas as transformações são tão grandes que, em alguns casos, fica impossível reconhecer qual era o carro “original”.
Nos anos 1980 e 1990, o mercado para os estúdios de customização sofreu uma forte queda porque as montadoras passaram a fazer elas mesmas seus carros de nicho, após a adoção de leis mais exigentes para aprovar modificações nos carros – para passar era preciso fazer um crash test.
O empresário alemão Martin Kapp trabalhou com a Zagato para ter uma nova versão do seu clássico Alfa Romeo Giulia TZ, mantendo as curvas originais dos anos 60, mas com performance e itens de segurança modernos. Kapp disse que entender o processo de manufatura contribuiu para o prazer de ter seu “TZ 3 Corsa”.
Riscos
“Nos últimos anos, produzimos mais de 50 colecionáveis contemporâneos, e na nossa opinião o segmento está se expandindo”, apontou Zagato. Atualmente, a receita com carros únicos ou de baixíssimo volume representa 50% do faturamento da empresa.
Com a expansão também aparecem os riscos. A busca pelo modelo exclusivo provocou uma enxurrada de falsificações no mercado de antigos, que também usam tecnologia moderna para criar réplicas tão perfeitas quanto os originais. “Fui em um evento de carros antigos uma vez, e havia 3 Alfa Giulia TZ idênticos com o mesmo número de chassis”, afirmou Kapp.
Martin Kapp exibe seu Alfa Romeo TZ 3 Corsa (esq.) e o Giulia (dir.) (Foto: REUTERS/Edward Taylor)Martin Kapp exibe seu Alfa Romeo TZ 3 Corsa (esq.) e o Giulia (dir.) (Foto: REUTERS/Edward Taylor)