terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Dilma reaparece, defende ajuste e pede que ministério trave 'batalha da comunicação'


Presidente fez malabarismos para negar as contradições entre as medidas do governo que se inicia e o discurso de candidata. Acuada, ela voltou a fingir que o escândalo que sangrou a Petrobras não tem relação com sua gestão

Gabriel Castro, de Brasília
Presidente Dilma Rousseff, acompanhada dos ministros Aloizio   Mercadante, da Casa Civil;  Jaques Wagner, da Defesa; e Joaquim   Levy, da Fazenda; durante sua primeira reunião de trabalho com sua nova equipe ministerial, na Granja do Torto, em Brasília - 27/01/2015
TROPA DE CHOQUE – A presidente Dilma Rousseff e sua nova equipe ministerial na Granja do Torto, em Brasília: petista quer seus 39 auxiliares em sua defesa contra a avalanche de notícias ruins que marcam início do governo (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
Depois de quase um mês de silêncio, a presidente Dilma Rousseff convocou seu numeroso time de ministros nesta terça-feira a "travar a batalha da comunicação" e classificou como "boatos" a sucessão de notícias ruins que marcam os 27 dias do seu novo governo, incluindo os desdobramentos do escândalo de corrupção na Petrobras e o pacote de ajustes fiscaisque fará o bolso do brasileiro doer neste ano.
Dilma reapareceu hoje à frente da reunião com os 39 auxiliares que simbolizam o maior loteamento partidário já visto na Esplanada dos Ministérios. A fala inaugural da presidente durou 35 minutos e foi transmitida ao vivo pela televisão estatal NBR. Em seguida, a reunião na Granja do Torto, a casa de campo da Presidência da República, transcorreu a portas fechadas – inclusive sem a presença de assessores dos ministros.
No pronunciamento, a presidente deixou transparecer desconforto com o texto a ser lido e chegou a demonstrar irritação: foram duas broncas, por exemplo, pela lentidão do operador do seu teleprompter. Aos ministros, proferiu uma série de malabarismos retóricos para negar as contradições entre o governo que se inicia e o discurso da presidente-candidata. "Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre, permanentemente", disse a presidente. E prosseguiu: "Não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública".
"Vamos mostrar a cada cidadão que não alteramos um só milímetro o nosso compromisso com o projeto vencedor na eleição", discursou.

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