NELSON MELO
PAGINA 9 [ GERAL ]-00000005Considerado um ícone do bumba-meu-boi maranhense, Humberto Barbosa Mendes, o Humberto de Maracanã, de 75 anos, teve seu corpo sepultado na tarde de ontem. O cortejo rumo ao Cemitério do Maracanã, zona rural de São Luís, foi acompanhado por uma multidão que cantou as toadas compostas pelo cantador. Ele morreu na tarde de segunda-feira (19), no Hospital Carlos Macieira, onde estava internado com quadro de infecção generalizada.
Mestre em cultura popular reconhecido pelo Ministério da Cultura, Humberto do Maracanã foi velado no barracão do bumba-meu-boi do qual era amo, situado na Avenida Principal do bairro. Durante a manhã, o padre Haroldo Passos Correia celebrou a “Missa de Corpo Presente”, acompanhada por inúmeras pessoas, entre amigos, familiares, simpatizantes e admiradores do amor que o cantador mantinha pelo boi de matraca, que começou ainda em sua infância.
Um dos 22 filhos de Humberto, Gilberto Algarves, 39, comentou que o pai passava quase o dia todo lendo e escrevendo poemas. Porém, há 12 meses, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), deixando-o impossibilitado de continuar “brincando com as palavras”. Dessa forma, meses depois, ele teve uma infecção no pé, agravando seu quadro de saúde, uma vez que era diabético, hipertenso e, também, tinha colesterol alto.
Neto do cantador, Josiel Silva Mendes, 29, explicou que a segunda paixão do avô era cuidar de uma roça que mantinha no quintal de sua casa, no Maracanã, próximo ao barracão do bumba-boi. Fato confirmado pela viúva de Mestre Humberto, Maria José Soares, 74, a “Maria Lina”, que estava muito abalada no velório. Com ela, o compositor – que era intérprete de toadas desde os 12 anos, teve 11 filhos. Destes, segundo os parentes, apenas três permanecem vivos. Os outros foram gerados com outras mulheres, conforme os familiares.
Para a aposentada Maria das Neves, 67, a morte do amigo e ídolo não irá “apagar o brilho que deixou”. Ela, inclusive, disse que trabalhou como cozinheira do Boi de Maracanã durante cerca de 20 anos; onde conviveu com o mestre das toadas, aprendendo e transmitindo o que assimilou com ele. Além dela, pessoas de toda a Grande São Luís e de outros municípios do Maranhão compareceram ao velório. Além de cantadores de outras brincadeiras, como Zé Alberto, do Boi de Iguaíba; e Eliézio Silva, o “Lelé, do Boi da Pindoba.
MILHARES DE PESSOAS acompanharam o cortejo com o corpo do Mestre Humberto de Maracanã|FOTOS: FRANCISCO SILVA E DIVULGAÇÃO

MILHARES DE PESSOAS acompanharam o cortejo com o corpo do Mestre Humberto de Maracanã|FOTOS: FRANCISCO SILVA E DIVULGAÇÃO
Por volta das 16h, foi iniciado o translado do caixão no carro do Corpo de Bombeiros, levado por cadetes da corporação militar. Munida de pandeirões, matracas e maracás, uma multidão seguiu o cortejo, cantando toadas compostas por Humberto de Maracanã. Após às 17h, sob o som de aplausos, aconteceu o sepultamento no cemitério do lugar.
De acordo com informações de familiares, o lendário Mestre do Bumba-boi de Maracanã (de ‘sotaque de matraca’) estava internado no Hospital Carlos Macieira desde o dia 13 de janeiro com quadro de infecção generalizada. Neste final de semana, agravou-se o quadro de infecção generalizada do cantador, que teve de ser submetido a uma cirurgia para amputação de uma das pernas.
Foi na terça-feira, dia 13, que Humberto de Maracanã passou mal quando estava em casa, e foi levado às pressas para o hospital, onde logo deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ficou sob “sedação” e “ventilação mecânica”. Desde ontem à noite, o velório está sendo realizado no barracão do bumba-meu-boi, no bairro do Maracanã.
UMA LENDA VIVA – Humberto Barbosa Mendes, o Humberto de Maracanã, nasceu em São Luís, no dia 2 de novembro de 1939. Ele era casado e pai de 22 filhos. Mestre em cultura popular reconhecido pelo Ministério da Cultura, ele também foi premiado como mestre da cultura brasileira no 23º Prêmio da Música Brasileira.
Há mais de 40 anos fazia parte de um dos mais tradicionais grupos de bumba-meu-boi, no sotaque de matraca, o Boi de Maracanã, do qual era compositor e intérprete de toadas desde os 12 anos. Aos 34 anos, tornou-se mestre do grupo e foi batizado como “Humberto do Maracanã”. Ele consagrou-se pela interpretação da toada que se tornou símbolo do São João maranhense, “Maranhão, Meu Tesouro, Meu Torrão”, do compositor Mano Borges, música que também foi gravada pela cantora Alcione.
Flávio Dino e Carlos Brandão homenageiam Humberto de Maracanã
O governador Flávio Dino e o vice Carlos Brandão prestaram homenagem na manhã de ontem (20) ao mestre de bumba-meu-boi Humberto de Maracanã, que faleceu na tarde de segunda-feira (19). Os dois estiveram no velório e cumprimentaram a família, os amigos e os admiradores de um dos maiores ícones da cultura popular maranhense.
“Viemos trazer a nossa solidariedade à família e a todos aqueles que fazem o Boi de Maracanã”, disse Flávio Dino às dezenas de admiradores e familiares do cantador e compositor de bumba-meu-boi, que estavam presente na quadra do Boi de Maracanã, na zona rural de São Luís.
Ao lado dos secretários Francisco Gonçalves (Direitos Humanos) e Ester Marques (Cultura), o governador conversou com a família de Humberto de Maracanã e homenageou o legado deixado por ele, como símbolo da música popular maranhense.
O governador ainda conversou com os integrantes do Boi de Maracanã e outros líderes e informou que a valorização da cultura popular é uma diretriz do governo do Maranhão. “Vamos cuidar para que o talento de Humberto de Maracanã permaneça como um marco para a preservação das nossas raízes, garantindo que novos mestres floresçam e dêem continuidade à propagação da cultura maranhense”, disse.
Humberto também foi homenageado durante as atividades oficias do governo do Estado. Pela manhã, na solenidade oficial de assinatura de decretos pela melhoria da Educação, foi feito um minuto de silêncio em memória desse ícone da cultura popular maranhense.