quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

TVs americanas pagam 1 BILHÃO de dólares para a Liga de futebol


O blog conversou com Alexandre Leitão do Orlando City, uma das 20 franquias que disputam a Major League Soccer. O Orlando pertence ao brasileiro Flávio Silva e tem Kaká como principal jogador e seu representante dentro e fora de campo. É a cara do time. A seguir, trechos da entrevista, feita por telefone. Procurei um enfoque didático, que pode ser excessivo para vocês, mas que foi necessário para mim.

Qual sua idade e formação?

Tenho 42 anos, sou formado em administração e estudei marketing na Califórina, em 1994.

O que faz o CEO?

De uma maneira mais simples, posso dizer que sou responsável por todas as operações fora de campo. Trato de receitas de ingressos, patrocínios e do estádio.

Contratações, não?

Não, mas fui em quem teve a ideia do Kaká. Precisávamos de um jogador que representasse ao que pensávamos para o Orlando e não havia ninguém melhor que o Kaká. Dei a ideia e ela foi aprovada com entusiasmo. Participo também de reuniões do Conselho que traçam metas e estratégias, inclusive para contratações.

Como é o sistema de contratações?

A Liga destina um valor igual aos 20 franquiados para que montem um elenco de 30 jogadores. Há um teto salarial que não pode ser rompido a não ser para três exceções. É o que se chama de designed players. Eles podem receber acima do máximo, que no ano passado foi de 400 mil dólares/ano. Kaká é o nosso jogador que recebe acima do teto.  Essa lei que permite pagar mais foi feita para trazer grandes nomes para a MLS. No início, era chamada de Lei Beckham porque possibilitou a passagem dele por aqui.

Pode sobrar dinheiro?

Sim, é o que chamamos de location Money. É usado para trocas de jogadores. Tudo dentro do “saco de dinheiro” que a Liga dá a cada clube. Esse montante era de 4,5 milhões de dólares/ano mas está aumentando.

Qual é a maior porcentagem de receitas do Orlando?

Receita maior é patrocínio e ingressos. Nossa meta é vender 14 mil ingressos por jogo em casa. Já vendemos 10 mil. No jogo de estreia, dia 8 de março, contra o New York, do David Villa e do Lampard, teremos 65 mil pessoas, lotação completa do Citrus Bowl, estádio da prefeitura, que é de futebol americano e que adaptamos. Na próxima temporada, teremos estádio próprio, com capacidade para 20 mil pessoas. E nossa meta será ter 100% de lotação.

Como há muitos brasileiros em Orlando e como Kaká é o astro, é comum dizerem que o Orlando City é um time de brasileiros para brasileiros….

Não gostamos dessa frase. É um time de americano para americano. Mas é lógico que há uma relação cultural com o Brasil que nunca deixará de existir. Estamos lutando também para que as agências de viagem coloquem um jogo do Orlando nos pacotes dos brasileiros que viajam para os parques temáticos.

Como é o contrato de televisão?

Foi firmado um novo, com duração de oito anos. Ele prevê US$ 1oo milhões por ano para a Liga. Com alguns bônus, é um contrato de US$ 1 bilhão nesse período. O anterior era bem menor.  Há contrato para a transmissão de jogos com os canais Fox, Espn e Univisión, ligado à colônia latina. Os jogos passam sexta, sábado e domingo. E há mais de um interessado no Brasil para a compra de direitos. É desse total de dinheiro, que a Liga repassa uma parte para os clubes, de forma a manter o equilíbrio.

E o dinheiro de venda de camisas e de patrocínio?

Esse não entra para o time. É para o clube, temos 60 funcionários, temos de manter os estádios e outros custos de manutenção.

A audiência da MLS concorre com basquete ou futebol americano?

Não. Mas em oito anos, pode ameaçar. Basta ver os números do contrato. Há estudos mostrando que o fã de futebol nos EUA é majoritariamente jovens com maior escolaridade e maior poder aquisitivo. São 24 milhões de praticantes.

E a média de público?

Ela chegou a 18 mil pagantes por jogo. Já é maior que a NBA e o hóquei. É uma das maiores ligas do mundo nesse aspecto. No Brasil, a média foi de 13 mil pagantes.

A organização da Liga é melhor que a da CBF?

Olha, não sei se é maior e melhor, mas sei que é diferente. O dono do clube também é dono da Liga. No clube, ele tem 100% e  na Liga tem 5% porque são 20 clubes. Então, o cara tem de se comprometer com metas de crescimento da Liga. Um crescimento sustentável e constante. Os donos das franquias são concorrentes dentro de campo, todos querem ser campeão, mas são sócios fora dele. Funciona bem.

Você disse que gostaria de ter uma torcida mais “europeia” e não norte-americana.

Foi um mal entendido. Na verdade, já e assim O torcedor de futebol é diferente do torcedor de esportes americanos. Participa mais, pula o tempo todo. Nossa torcida pediu uma parte do estádio construída para que essa paixão pudesse aparecer mais, pudesse ser praticada. Então, aceitamos. É como no estádio do Borussia Dortmund.

Você, que trabalhou na Ambev, patrocinadora da CBF, como analisa aqueles 7 a 1?

Eu jamais tomaria uma posição negativa ou positiva a partir dos 7 a 1. Tem de estudar o que aconteceu. Os  7 a 1 não refletem uma diferença dentro de campo, foi uma fatalidade. Fora do campo, o Brasil já mudou um pouco como na questão do calendário.

Qual a importância do Kaká para o Orlando?

É a cara do time. O grande ídolo. É o que chamamos de franchise player. Dentro e fora do campo. Sempre procuramos um jogador assim e existe. É o Kaká. Um atleta e uma pessoa admiráveis. Viu o que ele fez pelo São Paulo em seis meses? Imagina o que ele pode fazer por nós em três anos.

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