sexta-feira, 27 de março de 2015

Muricy admite que entregou o cargo, mas foi convencido a ficar: "Vou lutar"


Técnico diz que estava decidido a sair e que ouviu pedido de dirigentes e Ceni para permanecer. "Meu contrato não tem multa. Deixei eles livres desse compromisso"


O técnico Muricy Ramalho concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, no CT do São Paulo, para falar sobre o momento do time e sua situação no clube. Ele admitiu que, após a derrota para o Palmeiras, entregou o cargo à diretoria, mas foi convencido a ficar. Rogério Ceni participou da reunião.
– Não foi ontem. Foi quarta-feira. Quando cheguei ao CT... houve declarações deles (dirigentes) falando que eu ficaria até o último dia. Então deixei eles à vontade, para tirar o compromisso deles. Não é algo bom. Tem de ser algo aberto. Meu contrato no São Paulo não tem multa. Deixei eles livres desse compromisso – disse Muricy.
– Futebol precisa de resultado. Ontem vim com a intenção disso mesmo, para eles ficarem à vontade, aí não sei se felizmente me convenceram a ficar mais um pouco. Pediram até ajuda do Rogério para participar. Aí vem o instinto do cara do esporte, de lutar até o final. Temos chances ainda nas duas competições. É isso que me moveu. Então estou aqui de novo, lutando mais ainda – emendou o treinador.
Confira os principais tópicos da coletiva de Muricy:
Muricy Coletiva (Foto: Marcelo Hazan)Muricy, em coletiva (Foto: Marcelo Hazan)
Você entregou seu cargo na quinta-feira?
- Não foi ontem. Foi quarta-feira. Quando cheguei ao CT... houve declarações deles falando que eu ficaria até o último dia. Então deixei eles à vontade, para tirar o compromisso deles. Não é algo bom. Tem de ser algo aberto. Meu contrato no São Paulo não tem multa. Deixei eles livres desse compromisso. Futebol precisa de resultado. Ontem vim com a intenção disso mesmo, para eles ficarem à vontade, aí não sei se felizmente me convenceram a ficar mais um pouco. Pediram até ajuda do Rogério para participar. Aí vem o instinto do cara do esporte, de lutar até o final. Temos chances ainda nas duas competições. É isso que me moveu. Então estou aqui de novo, lutando mais ainda.
Qual seu limite, Muricy?
- Se seguir sem resultado, não dá. A nossa vida é resultado. Não me apego a contrato, ainda mais aqui que é um lugar especial para mim. Abrir mão de contrato nos dias de hoje é loucura nos dias de hoje, mas não me interessa mais isso. Estou em outra fase da minha vida. Quero ganhar. Se um dia fosse dirigente seria igual. Precisa de resultado. Não tem mais isso de antigamente. Já tirei esse compromisso. O limite é ganhar. Se eu tiver ganhando, eu continuo. Se não, eu saio. E o outro lado é a saúde. Se complicar também saio. Tive dores, mas agora estou melhor.
Se seguir sem resultado, não dá. A nossa vida é resultado. Não me apego a contrato, ainda mais aqui que é um lugar especial para mim. Abrir mão de contrato nos dias de hoje é loucura nos dias de hoje, mas não me interessa mais isso. Estou em outra fase da minha vida. Quero ganhar 
Muricy Ramalho
Vai sair se o time cair na Libertadores? 
- Não coloco data. Vai acontecer no dia que eu achar. Se for para ficar, do jeito que sou determinado, ainda vai demorar um pouco mais para sair.
Saúde e situação do time
- Estou há 40 anos nisso. Mais preparado não dá. Não me empolgo com vitória, nem acho tudo errado com derrota. A saúde está legal. Só dores normais. Não posso operar, porque é um problema sério. Dói um pouco e tomo remédio. No dia que achar que está prejudicando muito sou o primeiro a falar.
Mais sobre ter colocado o cargo à disposição
- Quarta-feira conversei com Ataíde, porque estava aborrecido como todos nós. Queria deixar eles livres das declarações de que vão ficar comigo até o fim. Não é legal. Não gosto. Quero deixá-los livres sobre isso.
Pressão por resultados
- Eu me pressiono para ganhar jogo. Pressão é alguém ameaçar. Já falei várias vezes que é ruim chegar em mim e ameaçar.
E se perder a Libertadores?-  Ainda continuamos vivos. Mas não dá para afirmar nada. Cada dia uma coisa. De dia uma coisa, de noite é outra. Não tem surpresa. Vamos continuar trabalhando. Estou preparado para tudo.
O que o deixa triste no futebol?- É muito diferente. Mudou muito. Hoje virou negócio. Pouca paixão. No meu tempo alguns trabalhavam de graça, pela amizade e deixavam salário de lado. Isso é o que mais me deixa triste. Mas vitória e derrota é o que muda tudo. Ganhar nos deixa menos triste, fica aliviado. Tem de acompanhar essa mudança. Não é mais a paixão de antigamente.
Por que um contrato sem multa?- É para deixar livre esse negócio de compromisso da diretoria. Se não dão declaração e vão querer cobrar depois deles. O contrato é livre para me tirar. Quero que fiquem à vontade. Se não tivesse chance de nada, não estaria aqui. Temos chances ainda. Largar sem lutar não dá. Vou lutar bastante. No dia que não der mais, eu jogo a toalha. Mas por enquanto vou brigar bastante ainda.


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