segunda-feira, 20 de julho de 2015

Janot pode pedir ao STF afastamento de Cunha da Presidência da Câmara


Isolado, Cunha pode ser afastado da Presidência da Câmara
Isolado, Cunha pode ser afastado da Presidência da Câmara





















O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, poderá pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do presidente da Câmara Federal do cargo para que possa ser investigado sobre corrupção e lavagem de dinheiro. Eduardo Cunha foi citado como beneficiário de US$ 5 milhões em propinas pagas por um dos delatores do esquema Lava-Jato. Júlio Camargo, da Toyo Setal, teria entregue o dinheiro ao lobista Fernando Baiano, que por sua vez teria feito chegar à Cunha. 

Segundo reportagem publicada na edição de hoje do Estadão, haveria uma conta em nome de Cunha - ou movimentada por ele - na Suíça para onde seguiriam os depósitos. Tal conta, rastreada pelo juiz Sérgio Moro com a ajuda do governo suíço, deverá fazer parte de denúncia a ser apresentada contra o parlamentar ao STF.

Em rota de colisão com o Planalto, Eduardo Cunha tentou um golpe de mestre ao romper unilateralmente com o governo. Imaginou que conseguiria atrair os candidatos independentes e que fazem oposição ao governo. Mas o resultado não foi o esperado e o presidente da Casa está isolado. Nem mesmo o presidente do Senado, Renan Calheiros, com quem confabulou sobre a aprovação de um eventual pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff compartilhou do seu arroubo.

A reação intempestiva de Cunha se deu tão logo a notícia da propina repassada por Júlio Camargo foi viralizada nos jornais e sites na última sexta-feira (17). Documentos revelados hoje (19) pelo Estadão(veja aqui) dão a indicação das contas e depósitos de Cunha - Moro tem usado a imprensa conservadora para dar oxigênio ás suas investigações. Ele anexou extratos bancários ao processo.

Documento em nome de Fernando Baiano fala em conta nas Ilhas Virgens
Documento em nome de Fernando Baiano fala em conta nas Ilhas Virgens  


Constitucionalmente, para afastar Eduardo Cunha da Presidência da Câmara somente será possível com autorização do STF. O receio dos parlamentares aliados e mesmo de oposição é que Cunha transforme sua gestão em um bunker contra o governo e faça da tribuna um palanque contra a presidenta Dilma Rousseff - e os estímulos pessoais se sobreponham ao interesse republicano.

Por meio de sua assessoria, Cunha afirmou que "não faz parte disso" e denunciou uma suposta articulação da Procuradoria-Geral da República para enfraquecer o Poder Legislativo.

Reprodução da Folha de São Paulo em 18/07
Reprodução da Folha de São Paulo em 18/07  




O abandono e isolamento de Cunha podem ser medidos pelo texto que o ex-governador, Anthony Garotinho, postou em seu blog sobre o imbróglio que cerca seu ex-colaborador - Cunha foi secretário de Garotinho, mas afastado em seis meses. Diz a nota:


"Cunha decidiu atropelar a tudo e a todos na sua guerra de ódio ao governo, ao PT e ao MPF. Esperava receber apoio do seu partido, mas o PMDB deixou claro, que é decisão pessoal de Cunha. Pediu a aliados para organizarem um manifesto de solidariedade, mas deputados próximos o avisaram que o clima não estava favorável e nenhum parlamentar queria assinar. Nem a turma do PMDB-RJ se manifestou, todo mundo correu ontem dos jornalistas para não se comprometer com Cunha. Aliás, causou estranheza que o Líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), fiel escudeiro de Cunha, passou o dia com celular desligado, sua assessoria dizia que ele estava no interior fluminense onde não havia sinal. Leonardo Picciani deve a Cunha sua eleição para a liderança da bancada do PMDB, mas na hora do sufoco deu as costas ao "padrinho", ontem evaporou". 

Decano do Jornalismo, Jânio de Freitas relatou na sua coluna deste domingo (19) o quanto Eduardo Cunha acusou o golpe a partir da delação de Campos:

"Essa situação de Câmara e Senado não precisará esperar a comprovação ou negação da culpa de Eduardo Cunha para receber efeitos políticos importantes. Tanto mais que ele sentiu o golpe. Sua resposta de superioridade quando esteve na expectativa de uma visita policial substituiu-se, em apenas 24 horas, por um jorro de agressões patéticas, evidência de tombo e descontrole. Eduardo Cunha não imaginaria, a sério, que o governo dirija o procurador-geral da República, nem Rodrigo Janot obrigou delator algum a difamar Eduardo Cunha. Nem o juiz Sergio Moro detém indevidamente o inquérito em que Eduardo Cunha é acusado da extorsão de US$ 5 milhões", diz ele.


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