sexta-feira, 17 de julho de 2015

O príncipe da direita virou sapo antes de virar rei - e agora?


Luta para se defender das acusações, mas será que ainda convence alguém?
Luta para se defender das acusações, mas será que ainda convence alguém?






















As perguntas se multiplicaram na manhã desta sexta-feira e a primeira delas era: será que o Cunha vai ter coragem de fazer o tal pronunciamento? E se fizer, vai manter sua intenção original e apresentar "um balanço do primeiro semestre legislativo", como se nada tivesse acontecido?

Seria ridículo. Mas como certamente ele não iria renunciar à presidência da Câmara nem cometer um harakiri em rede nacional, aguardou-se com alguma ansiedade ou curiosidade o que estava por vir.

E veio o que a gente viu: o "rei" mais nu do que nunca e bancando o bom moço, um canastrão vendendo cinco minutos de xarope intragável no rádio e na TV.

Mas, após seu líder de ocasião ter sido denunciado e ido parar nas manchetes de todos os sites e jornais, acusado de ter recebido US$ 5 milhões de propina, outras perguntas persistem na cabeça de quem o apoia - comparsas políticos, eleitores, antipetistas, conservadores, golpistas, reacionários em geral querem saber: e agora??


Todos ou quase todos sabem, sempre souberam, que o deputado do Rio de Janeiro não é flor que se cheire. Centenas de parlamentares colaram nele por conveniências e oportunismos diversos. E podem estar indagando em silêncio, ou nas mesas de bar de Brasília: "Se o Cunha cair mesmo em desgraça, para onde devemos ir, em quem devemos grudar?"

Já os cidadãos, eleitores dele ou apenas simpatizantes, talvez tenham se surpreendido com a dimensão do estrago: 5 milhões de dólares.

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Além do valor da propina, talvez tenha chocado especialmente o teor do depoimento de Júlio Camargo. Empresário bem-sucedido, ele confessou a Sérgio Moro ter sentido medo de Eduardo Cunha, pelo poder que ele demonstrava ter durante as negociações criminosas e por seu potencial destrutivo, que poderia afetar seriamente seus negócios e até mesmo pôr em risco sua família.

É muito grave. Como Cunha conseguirá se sustentar no cargo de presidente da Câmara depois disso?

Mais angustiante talvez seja a situação do cidadão comum que, iludido, apostou suas fichas em Eduardo Cunha como se ele fosse a "reserva moral da nação", um líder pouco carismático mas muito pragmático e eficiente, que se posicionou como o salvador da pátria, um sujeito "trabalhador, honrado e honesto" que poderia ajudar a construir um novo Brasil...

O sentimento de orfandade certamente tomou conta de muita gente na noite desta quinta-feira.

Para quem observa o contexto sem maiores envolvimentos emocionais, é uma espécie de alento ver que o caso ganhou as manchetes de todos os sites e jornais da velha mídia, que parece ter descoberto meio tardiamente o perigo para a democracia e para as instituições representado por Eduardo Cunha.

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