quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dublador de Harry Potter, PM é morto em favela 'pacificada'

Soldado Caio César Melo, de 27 anos, foi baleado no pescoço durante ataque de traficantes a uma sede de UPP no Complexo do Alemão, enquanto governador e secretário de Segurança faziam visita a favela vizinha

Soldado Caio Melo e o personagem Harry Potter
Soldado Caio Melo e o personagem Harry Potter(VEJA.com/Reprodução)
O soldado da Polícia Militar Caio César Melo, de 27 anos, foi baleado no pescoço e morreu nesta quarta-feira durante um ataque de traficantes à base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rua Canitar, no Complexo do Alemão, no Rio. Nono policial militar morto em favelas supostamente pacificadas neste ano, Caio César era o dublador oficial dos filmes de Harry Potter no Brasil. Ele foi baleado pela manhã, enquanto o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, visitavam uma ONG no Parque Proletário, favela vizinha ao Alemão no Complexo da Penha.
Caio César chegou a ser socorrido em um hospital, mas, após mais de duas horas de cirurgia, não resistiu aos ferimentos. Antes de trabalhar como PM, ele fez carreira como dublador. Aos 14 anos, passou a dublar no Brasil o personagem Harry Potter, estrelado pelo ator Daniel Radcliffe. Também fez dublagem para desenhos animados como Digimon e Luluzinha.
Caio César entrou para uma trágica estatística de vítimas da violência no Rio. Em nove meses, ele foi o nono policial militar morto em serviço nas áreas consideradas pacificadas pelo governo de Pezão. Somente este ano, além dos nove policiais mortos, pelo menos 80 PMs foram baleados em favelas que fazem parte do chamado programa de pacificação. Desde o fim de 2008, quando foi lançado, o projeto das UPPs soma 206 policiais feridos e outros 25 mortos.
Um integrante da comitiva do governador disse ao site de VEJA não ter ouvido o barulho do tiroteio que ocorria do outro lado do morro que liga as duas favelas e terminou com a morte de Caio César. No fim desta tarde, policiais e traficantes voltaram a se enfrentar na favela visitada pela cúpula do governo mais cedo. O soldado identificado como M. Cunha, do Batalhão de Choque (BPChoque), foi ferido na perna e levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas.

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