quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Letícia Sabatella revela assédio aos 12 anos: "Coração a mil, um nojo daquilo"

Atriz aderiu à campanha #meuprimeiroassédio, que incentiva mulheres a denunciarem abuso


A atriz Letícia Sabatella aderiu à campanha virtual #meuprimeiroassédio, criada pelo coletivo feminista Think Olga para incentivar mulheres a denunciarem abusos e outros tipos de violência que sofreram.

Em seu Facebook, Sabatella revelou que tinha 12 anos quando foi vítima do assédio de um homem que passava de carro numa rua deserta.

Ao voltar do balé, no caminho que fazia todos os dias, Letícia desceu do ônibus a dois quarteirões de sua casa quando foi abordada por um homem. Quando se aproximou do carro dele para dar um informação, a pedido dele, ela o encontrou com o órgão sexual à mostra.
A campanha teve seu início após uma participante do MasterChef Júnior sofrer com declarações pedófilas nas redes sociais depois da estreia do programa.

Outra atriz a aderir à campanha foi Rachel Ripani, vítima de assédio sexual por um primo na infância.

Leia o relato completo de Letícia Sabatella abaixo:

"Eu devia ter 12 anos. Voltava de ônibus da aula de Ballet, no Teatro Guaíra. Descia na rua da minha casa, umas duas grandes quadras antes, acostumada a esse caminho. A rua deserta e larga , de calçadas largas, casas com jardins e portões distantes da rua, eu pela calçada, passarinhos e silêncio.
Um carro, um corcel vermelho, vinha pela rua ampla, reta e longa, parou à minha altura, eu na larga calçada mais próxima aos jardins das casas do que da rua, perguntou-me: 'Qual o nome dessa rua?'.
- Raphael Papa.
-'Hein? Não consigo ouvir'.
Eu falei mais alto e, de algum modo ele fez com que eu me aproximasse do carro para que ele conseguisse 'ouvir e entender' direito.
Foi então que percebi seus olhos verdes avermelhados e estatelados, um pau gigantesco em suas mãos, o olhar doente e pessimamente intencionado!
A rua deserta, ainda uma longa distância até minha casa.
Olhando fixamente em seus olhos, dei passos precisos, sem pressa, pra trás, peguei, sem tirar os olhos dos dele, um tijolo de um montinho de construção, atrás de mim e fiquei parada, pronta para o que viesse.
Ele ainda exitou, antes de partir lentamente , seus olhos em mim, eu o vi descer a rua ao longe , virar o carro e ainda voltar na minha direção, passando novamente pelo ponto onde eu o ameaçava com meu olhar fixo em seus movimentos, o tijolo na mão. 
Quando o vi desaparecer da minha vista, corri até minha casa, coração a mil, um nojo daquilo, a minha forma de medo.
A gratidão pelo tijolo da construção."

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