terça-feira, 22 de março de 2016

JN omitiu diálogo de Lula que diz: "não pedirei ao governo para me proteger" - vídeo


Da Redação
Dias e Lula: áudio foi ignorado porque explicava razões de Lula
Dias e Lula: áudio foi ignorado porque explicava razões de Lula
















Entre os incontáveis grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal das conversas envolvendo o ex-presidente Lula (e até Dilma Rousseff), um deles foi omitido pelo Jornal Nacional na sua edição do dia 17 - quando deu publicidade às escutas repassadas pelo juiz Sérgio Moro. Trata-se de um diálogo mantido com o governador do Piauí, Wellington Dias, onde Lula afirma que não pediria ao governo para protegê-lo nomeando-o ministro. O áudio, que estava a disposição da Globo junto às outras escutas, foi omitido, acredita-se, porque nele fica evidente que Lula não foi para o governo numa ação de auto-defesa, mas porque havia um projeto de governo. Esta foi a alegação do ministro do STF, Gilmar Mendes, ao reencaminhar a ação da Lava-Jato sobre o ex-presidente ao juiz do Paraná, Sérgio Moro.



Dias, na conversa com Lula ocorrida em data indeterminada, afirma que seria importante sua presença no governo para ajudar na elaboração de planos que ajudassem na retomada do crescimento da economia. Uma das medidas urgentes incluiria a liberação de recursos para governadores e prefeitos (ampliando o endividamento do governo - "um dos menores do mundo", segundo Dias). Na conversa Lula parece concordar com o receituário. O ex-presidente acrescenta em seguida que o BNDES teria papel fundamental neste momento com investimentos em setores geradores de emprego.

Com o apego à suspeita de que Lula teria ido para o Ministério da Casa Civil para fugir de Sérgio Moro, Gilmar Mendes paralisou novamente o governo. O Palácio aguarda decisão do STF sobre a validade ou não da sua nomeação. O mesmo discurso, que impinge caráter estratégico à nomeação, foi proferido como verdade inquestionável nos meios de comunicação e entre representantes da oposição.

Para observadores da crise política está em curso uma última e definitiva estratégia do triunvirato mídia/oposição/judiciário engajado para manietar e inviabilizar o governo e garantir a aprovação do impeachment. Tal estratégia envolve a manutenção na Comissão de Impeachment de parlamentares com processos judiciais. Embora soe incoerente aos mais puristas, a medida, pela ótica da política mais subterrânea, tem fácil compreensão: se votarem contra o impeachment e a favor da sua consciência os deputados fichas sujas serão julgados e condenados em instâncias que vão do parlamento e do judiciário. Caso aprovem o impeachment passam a figurar na lista dos que terão os delitos esquecidos. 

Um texto que circula na internet, porém, revela que tais parlamentares estariam sendo usados para a aprovação do impeachment e em seguida seriam afastados como sinal de "tempos moralizadores da República" pós-PT. Por esta lógica Gilmar Mendes viraria ministro da Justiça, Sérgio Moro iria para o seu STF e José Serra se tornaria o principal agente político do país - uma espécie de primeiro ministro sem mandato. Michel Temer, o presidente da fato, seria uma espécie de Rainha da Inglaterra. Em tempos de manipulação e boataria, nada pode ser descartado.


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